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    October 30

    El charm perdido de las mujeres...

    Me había olvidado cómo era eso de "pedir".  Eso de querer que otros te mimen, hagan cosas por ti, busquen lo imposible y lo no tan imposible, pero que sea algo que se pueda pedir!  En estos tiempos de independencia, la mujer está perdiendo toda esa dulzura, todo el charm.  Cupla nuestra...no creo.  Culpa de todos esos animales que insisten en ignorar que la mujer es DIFERENTE a ellos.  Que la mujer, cuando dice NO, quiere muchas veces decir SÍ y vice-versa.  Que la mujer ya fue tantas veces pisoteada, humillada, amada demasiadamente, ignorada en el ambiente de trabajo, quemada infinitamente, traicionada exhorbitantemente que ahora está a la defensiva.  Ya no cree en los hombres, se rasca los huevos sin verguenza (léase "tetas", que son los huevos de las mujeres) y todavia paga todas sus cuentas...toditas!  En tiempos de hombres frágiles, vulnerables, cariñosos, románti-caos, infantiles, vale a pena leer esta crónica de Xico Sá, columnista de la Folha de São Paulo, uno de los periódicos que leo aquí. 
     

    Sex, 30 Out, 12h13

    Xico Sá*/Especial para BR Press

    (BR Press) - Queremos voltar a ser úteis, imploro, repito. Queremos prestar de novo. Mulheres, escutem o nosso grito. Ouviram do Ipiranga, da Pampulha, do Capibaribe, das margens do Jaguaribe? Ouviram?

    Não se trata de mais uma cantada genérica. Cantar é fácil. Qualquer mané o faz. A grande arte de um homem começa quando a cantada dá certo, ouviram, rapazes? Sim, o feitio de oração, o devotar-se, como insisto aqui nesta campanha permanente.

    E nesse quesito, amigos, quem mais se aproxima da nota dez é quem atende todos os pedidos, ou quase. Mesmo que seja uma daquelas gazelas que adoram ser mimadas 24 horas, filha única, carente, voz manhosa de Marilyn Monroe no faroeste Os Desajustados.

    Porque só Marilyn, não por ser loira, mas pelo estilo da fala, sabe ensinar como obter tudo de um homem. Ainda mais nesses tempos de hoje, em que perdemos praticamente a utilidade. Não vamos muito além da velha troca do chuveiro queimado ou da lâmpada.

    No restante dos ofícios, elas possuem dotes e consolos materiais e filosóficos. Nem a massagem do cansaço noturno passa mais por nossas mãos rudes - tem sempre um japa do ramo que já resolveu a parada antes.

    A conta

    Nesse critério, de nos tornar um pouco úteis, de deixar o macho se sentindo vivo e importante, queremos a chance de saber que na vida ainda existe almoço de graça. Deixem que o homem pague, mesmo que você seja aquela super-poderosa mulher que comanda uma plataforma de petróleo ou que tenha nascido da costela do Onasis.

    Queremos a chance de atender os seus pedidos. Uma das maiores virtudes de uma fêmea é arte de pedir, não acha?

    Como elas pedem gostoso.

    Como elas são boas nisso.

    Resistir, quem há de?

    Um simples "posso pegar essa cadeira, moço?" vira um épico. É o jeito de pedir, o ritmo caliente da interrogação, a certeza de um "sim" estampado na covinha do sorriso. Pede que eu dou, meu amor, eis o mantra aqui repetido.

    Pede todas as jóias da Tiffany´s, minha bonequinha de luxo! Estou pedindo: pede! É uma campanha permanente, por isso repito parte de uma velha crônica de costumes dirigida especificamente a uma moça.

    Eu imploro, eu lhe peço todos os seus pedidos mais difíceis. Pede Chanel, pede Louis Vuitton, pede que eu compro nem que seja no camelô. Não me pede nada simples, faz favor. Já que vai pedir, que peça alto. Você merece.

    Como é lindo uma mulher pedindo o impossível, o que não está ao alcance, o que não está dentro das nossas posses. Podemos não ter onde cair morto, mas damos um jeito, um truque, um cheque sem fundos.

    Até aqueles pedidos silenciosos, quando amarra a fitinha do Senhor do Bonfim no braço, são lindamente barulhentos. Homem que é homem vira o gênio da lâmpada diante de uma mulher que pede o impossível.

    Ah, quero o batom vermelho dos teus pedidos mais obscenos, como um Wando, como o poeta mais brega ou como o T.S.Eliot. Quero o gloss renovado de todas as vezes que me pede para fazer um pedido, assim, quase sussurrando no ouvido: "Amor, posso te pedir uma coisa? Posso mesmo?"

    Um castelo na Inglaterra?

    Sim, eu dou na hora.

    Sim, eu opero o milagre.

    Como no pára-choque, o que você pede chorando que não faço sorrindo?!

    Pede, benzinho, pede tudo.

    Que eu largue a boemia, pare de beber e me regenere???

    Pede, minha nêga, que o amor tudo pode.

    Mesmo as que têm mais poder de posse que todos nós não escapam de um belo pedido. Com estas, as mais poderosas, tem ainda mais graça. Elas pedem só por esporte, o que não lhes comprometem a pose e muito menos a independência.

    Charme

    Não é questão de poder ou dinheiro. O charme e o que importa é o pedido em si, o romantismo que há guardado no ato. Os melhores cremes da Lancôme? Vou a Paris agora. Estou pronto.

    Eu lhe peço: me pede.

    Café da manhã na cama todas as manhãs? Já estou arrumando os potinhos de geléia e de olho na cafeteira mais moderna, mais "da hora".

    & MODINHAS DE FÊMEA

    Champanhe todas as noites?

    Sim, terá, e sempre à luz de velas, não qualquer espumante, aquele da marca da nobre viúva.

    Que eu abra a porta do carro, sem que você corra risco de parecer uma nostálgica? Abre-te Sésamo!

    Puxar a cadeira? Só se for agora.

    Reservar mesa para jantar fora? Acabei de providenciar, meu anjinho barroco.

    Peço: me pede! Não pede mimos baratos, pede atenção, por exemplo, essa mercadoria tão cara e tão em falta no mundo de homens e mulheres.

    Xico Sá é jornalista e escritor. Nasceu no Cariri em 1963 e foi criado no Recife. Atualmente, vive em São Paulo. Fale com ele pelo e-mail xicosa@brpress.net

    Comments (2)

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    Ri, reconheço que sou meio preguiçosa e não faço as traduções que sei muitos amigos (os que leem, obviamente!) agradeceriam. É uma verdadeira vantagem saber de côr essas sutilezas em ambas as línguas, hei de reconhecer. Difícil é transpôr, como vc diz, a regionalidade, o espírito, a fina ironia. Acho que preciso voltar à USP! hahahahah
    Nov. 2
    Ricardowrote:
    Mandou bem! Sabe, Indra eu fiquei pensando como seria se você tentasse passar a crônica para o espanhol? Eu gostaria de ver. Sempre penso em como seria transpor essa regionalidade e o próprio espirito do texto... a fina ironia etc... E seus amigos agradeceriam, huh!?
    Oct. 30

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