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    February 13

    A Consistência de Saramago

    Nem lembro a última vez que entrei para postar algo no meu blog.  Barbaridade!  Não foi por causa de temas e de vontades!  Várias foram as vezes que quis escrever sobre alguma coisa que cruzou a minha cabeça, mas a laptop estava sendo usada, ou não tinha tempo de sentarme e viajar no texto.  Dura é a vida sem uma laptop própria, sem ter que compartir essa extensão da cabeça que para mim é o teclado.  Acho que está na hora de começar a escrever à mão.  Back to the past.  Até comprar uma para mim, vai ficar complicado. 
    Ontem fui ver uma exposição que talvez cutucou a minha sede de escrever e de ler.  "José Saramago: A Consistência dos Sonhos".  Já falei inúmeras vezes do meu amor e admiração por este senhor de mais de 80, capaz de transportarme a lugares que eu nunca estive antes e me fazer vivir na pele os sentimentos dos seus personagens.  A Caverna, Ensaio sobre a Cegueira, Ensaio sobre a Lucidez, O Evangelio Segundo Jesus Cristo, As Pequenas Memórias, O Homem Duplicado, Memorial do Convento, O Conto da Ilha Desconhecida, A Bagagem do Viajante e o último A Viagem do Elefante.  Todos lidos, exceto o último que estou por terminar.  Saramago sabe bem como usar as palavras e como traduzir isso em sentimentos.  Muitas vezes senti que ele falava mesmo era de mim, em outra época, claro!  A exposição é uma viagem pelo labirinto da vida desse autor que mora numa ilha, a ilha de Lanzarote, nas Ilhas Canárias, desde o seu nascimento em 1922 numa aldéia pobre de Portugal chamada Azinhaga e de onde tirou a inspiração para escrever o seu livro autobiográfico As Pequenas Memórias.  Fotos, documentos de identidade, manuscritos dos seus primeiros poemas e crónicas escritas, entrevistas, videos de quando recebeu o Nobel de Literatura, videos de sua militância política, e um video espetacular, produzido na França por Carmen Castillo, chamado Le Temps d'une Memoire, de 2003.  A memória sempre presente nele, Saramago diz que somos aquilo que herdamos de nossos antepassados, somos a memória que mantém vivas todas esssa pessoas que morreram, mas que não morreram, pois continuam vivas nas nossas memórias.  No video, um momento de pura emoção: Saramago lê a carta de uma fã, de Buenos Aires, Argentina, que relata a importância que ele, apesar de não a conhecer, tem exercido na vida dela.  Como os personagens que Saramago escreve tem-na acompanhado na sua dura vida solitária.  Saramago não consegue continuar a leitura.  Emoção total. 
     
    José Saramago - A Consistência dos Sonhos por Pontos de Luz.